quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Estudo sobre Teatro do Absurdo na ótica de Ionesco

Eugene Ionesco

Um dos maiores dramaturgos do século XX, Eugen Ionescu (1909-1940), na cidade de Slatina (Sul da Romênia). Depois dos estudos em Bucareste, estabeleceu-se na França, a partir de 1938. Eugene Ionesco é, ao lado de Samuel Beckett, um dos representantes mais expressivos do chamado Teatro do Absurdo, movimento teatral de vanguarda ocorrido sobretudo na França na década de 50. Suas peças evidenciaram o desmoronamento das certezas e dos valores até então considerados fundamentais.
Depois dos volumes de versos Elegias para Seres Pequeninos e de estudos críticos Não, em língua romena, sua primeira peça foi A Cantora Careca, em 1948. Seguiram-se A Lição (1950), As Cadeiras (1951), Vítimas do Dever (1952) e Os Rinocerontes (1959), peça anticonformista e antitotalitária, aclamada pelo público e pela critica mundiais.
Seus textos, carregados de humor, sempre provocam no público a sensação de vazio e de que a socidade humana esta fadada à deterioração espiritual e à autodestruição. Durante toda a vida, Eugene Ionesco manteve o seu estilo polêmico e profundamente crítico em relação ao homem embrutecido e à solidão característica da vida moderna.
Suas peças têm algo em comum: utilizam-se de situações e personagens absolutamente convencionais que, de repente, deixam irromper, do fundo da consciência, todos os desejos e sonhos reprimidos, desnudando a hipocrisia que rege o comportamento dos indivíduos em sociedade.

Teatro do Absurdo

Considerada por muitos uma anti-forma de teatro, o Teatro do Absurdo desfragmentou e destruiu a linguagem como base do teatro, buscando o recurso da metáfora e do sentido figurado das palavras para criar situações irônicas, tornando as palavras fragmentos perdidos e isolados.
A destruição de valores e crenças, após a 2a Guerra Mundial, produz um teatro anti-realista, ilógico, que encara a linguagem como obstáculo entre os homens, condenados à solidão.
Denominando de segundo romantismo, pelo retorno à consciência privada, considera-se o teatro do absurdo como um renascimento do trágico, não a partir do terror e do sangue, mas como uma perturbação solitária e um lirismo desafinado. Logo, uma problematização do real a ser solucionada.
Mais preocupada com a realidade existencial, a ruptura absurda é individualista. As personagens aparecem mergulhadas no patético, em uma fatalidade das situações irrecuperáveis, não propriamente um destino. Mas um pessimismo indesviável as impedem de qualquer gesto de rebeldia.
Talvez por isso, seus autores optaram, freqüentemente, pela via irônica e parodística, construindo uma espécie de tragicomédia, na qual o distanciamento cômico filtra o excessivo peso dos valores negativos, enveredando pela via do humor negro. Mas não assumem integralmente a despreocupação cômica, para não se desviarem da rota de representação grave do cotidiano tragicizado, marcado por duas grandes guerras mundiais e permanentes estados bélicos; sem falar nas guerrilhas urbanas, na fragilidade do apego à vida. Sem sentido, sem razão, sem individuação, sem centro. O homem do teatro do absurdo encontra-se atado a uma obsessão do nada, a uma eterna esperança que não se sabe qual é. Desprovido de todo interesse, de toda significação, inspira o tédio e o desgosto, a angústia da condição humana.

Eugene Ionesco

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

ANÁLISES E ESTUDOS (teatro, literatura)

Perto do Coração Selvagem
Clarice Lispector

No romance Perto do Coração Selvagem (primeiro romance de Clarice Lispector - 1944) é notória a aproximação com os ficcionistas de vanguarda da época, James Joyce, Virgínia Woolf e William Faulkner, pelo uso intensivo da metáfora insólita, entrega ao fluxo da consciência e ruptura com o enredo final.

Caracteriza-se pela exacerbação do momento interior de tal modo intensa, que, a certa altura de seu itinerário, a própria subjetividade entra em crise. O espírito, perdido no labirinto da memória e da auto-análise, reclama um novo equilíbrio, transcendendo do plano psicológico para o metafísico. A própria narradora revela a consciência desse salto, quando diz: Além do mais a "psicologia" nunca me interessou. O olhar psicológico me impacientava e me impacienta, é um instrumento que só transpassa. Acho que desde a adolescência eu havia saído do estágio do psicológico.

A prosa leve discorre com fluência e fluidez nos meandros da protagonista, na sua visão de mundo e interação com os demais personagens. Tudo isso revelou Clarice Lispector como mais que mera promessa na prosa da Geração de 45. É o texto do sensível e do imaginário, ora enfrentando ora diluindo-se aos incidentes reais de Joana.

A amoralidade diante da maldade. O instinto na condução da trama, com uma certa dose de auto-martírio. A história de Joana (protagonista) - não a Virgem d'Orleans, mas a personagem de Clarice Lispector nesta obra de estréia, marcou a ficção brasileira em 1944. A narrativa inovadora provocou frisson nos círculos literários. A técnica de Clarice Lispector funde subjetividade com objetividade, alterna os focos literários e o tempo cronológico dá lugar ao psicológico (o presente entremeado ao intermitente flashback). Joana expressa, por fluxos de consciência, sua vida interior, contrapondo suas experiências de menina às de adulta, mergulhando ora no passado, ora no presente, segundo o fio condutor da memória.

Deve-se ler a obra com instrumentos de anatomia: usa-se bisturi para dissecá-la e pinça para estudar os personagens como órgãos autônomos, que se ligam por estranhas artérias e nervos à personagem de coração e cérebro Joana. São eles: o pai prematuramente falecido, incentivador das brincadeiras na infância; a tia assustada com as estripulias da órfã, a quem chama de víbora; o tio fazendeiro, afetuoso com Joana e abúlico diante das reclamações da mulher; o professor confidente e orientador (como a paixão da puberdade); Otávio, o rapaz que se casa com Joana ao romper o noivado com Lígia, de quem posteriormente se torna amante; Lígia, grávida de Otávio, conta tudo à protagonista; o homem sem nome, sustentado pela mulher, participante silenciosa do romance clandestino e sem compromisso dele com Joana.

A leitura é caleidoscópica. A protagonista ora tem uma cor, ora outra, conforme o momento ("real" ou onírico). As cores dançam no enredo misturado ao cenário e às sensações da menina-mulher-amante. Joana desfila na vida dos outros personagens, destilando o veneno de víbora, instilado com ironia e respostas cruéis diante dos fatos. A leitura também é lúdica, quando o leitor tenta adivinhar o que a autora preparou páginas adiante e se surpreende com o que presencia.




Nano Moreira
Prof. Literatura Brasileira

Clarice Lispector

SIGA A SETA! (contos, crônicas, poemas e afins)

Lágrimas quentes

A noite caía, como elas caíam no frio e nevado chão. Estava frio, muito frio.
Pobres, sem família, órfãs, sem nada para esquentá-las.
O inverno naquela época era muito rigoroso. Sem amor.
Não entendiam quase nada, mas entendia tudo o que lhes acontecia.
Estavam desamparadas.
Com aquela situação, sabiam que teriam que conseguir vender todos aqueles fósforos, para conseguir alguma coisa para comer.

Somente neve, pessoas ao longe, senhoras ricas e agasalhadas, crianças e seus brinquedos, com seus sorrisos largos, era a única visão daqueles seres solitários, no frio.
Tristes, com estômago e corações vazios, saíram desta vida fria, sem ter tido um lampejo de esperança nas últimas lágrimas quentes que derramaram.

Maria Eugênia - 7º ano
Avaré
Fábulas Fabulosas

Seus personagens são animais, com atitudes e sentimentos humanos, com o intuito de ilustrar o código moral para os homens.

O osso do cão.

Certa vez um cachorro, com um enorme osso na boca, parou num rio para beber um pouco de água.
Percebeu sua imagem refletida nas águas, e achou que esta, era outro cão com um osso, então, o cachorro, desejando aquele apetitoso aperitivo, abriu a boca para lamber os beiços, deixando assim, o seu belo alimento ir por água abaixo, concluindo assim que, por desejar demais, perdeu o que já tinha.

Rafaela Bueno
7º ano -
SETA - Avaré



O Canto onde se conta Contos...

Fluxo

No parque, o andar silencioso.
A busca por um lugar no meio de todos,
Onde estar não seria ser.

Onde?
Olhar, olhares, visões, altares, bancos,
Vento, sopro, alimento.

Onde?
Andar, silencioso, pensado, centrado,
Sentado, em pé, ereto.

Onde?
Pessoas, perdões, encontrões, palavrões, silêncio...
Cada passo, cada pensamento,
Cada minuto, cada um na sua.
A música da vida, a música eterna,
A música interior, aquela.
Nada o que temer, tremer,
Nada o que tentar, girar, gritar, brincar,
Silêncio.
O parque, o baque, a volta
Revolta, solta.
A calma alma,
O ocaso por acaso.
O inerte norte,
A espera dela,
Da morte?

Anoitece.
Volta-se, envolve-se, acha-se.
Nano Moreira

Adentro

Preparando-se para agir, no estático momento da inércia total, absorvendo barulhos alheios, sons de desconhecidos, pancadas anônimas de alguns e ninguém.
Entre o silêncio e a respiração.
Nos dedos em toques contínuos, continua-se a construção daquilo que não se sabe onde vai dar, aonde acabará.
Os incessantes piscares de olhos, os movimentos incertos, os toques, os tiques, os risos, tudo acaba, tudo começa, tudo embaça.
Na vontade de mudar, sair, olhar, andar.
A vontade de não estar, abstrair, abnegar, não ficar.
Estando tudo em tudo, contudo, mudo.
O estado inaudível.
Os critérios, os mistérios, as visões, tudo.
Mudo.
Cada passo, cada um, cada qual.
Estando e não ficando, máscaras da ação, da não realização.
O silente, na movente quietude, quieta na crepitude do nada em transformação.
No quase.
Tudo, no quase.

Drico Moreira

A Ronda

Andando pelas calçadas de uma cidade semi-abandonada, onde ouvia-se o grito do vento roçando nas paredes manchadas pelo tempo.
Pouco se conseguia enxergar naquele horizonte sem perspectiva, sem luz. Onde, sabia-se, que a inexistência poderia se possível. A devastação circundava aquele ermo lugar, sem cor, sem respiração.
Naquela esperança de terminar aquele passeio sombrio, aquela ronda nefasta, o medo mesclava-se com a desolação. Ouvia somente o próprio coração bater, o seu respirar, únicos sons, companheiros, sempre presentes.
Ao terminar aquilo que poderia ser considerado como, a confirmação do não existir, do nada, mantinha sua face voltada para frente, tendo a plena certeza que aquela experiência, aquela visão, estaria sempre lá, no fundo da sua vida. Nem presente, nem futuro...Simplesmente Passado.
Adriano Emerick




terça-feira, 26 de agosto de 2008

ERA UMA VEZ, NO TEATRO... (História, pesquisa, espetáculos, estudos e outras mais)

A Origem e Evolução do Teatro
A origem do teatro pode ser remontada desde as primeiras sociedades primitivas, em que acreditava-se no uso de danças imitativas como propiciadores de poderes sobrenaturais que controlavam todos os fatos necessários à sobrevivência (fertilidade da terra, casa, sucesso nas batalhas etc), ainda possuindo também caráter de exorcização dos maus espíritos. Portanto, o teatro em suas origens possuía um caráter ritualístico.Com o desenvolvimento do domínio e conhecimento do homem em relação aos fenômenos naturais, o teatro vai deixando suas características ritualistas, dando lugar às características mais educacionais. Ainda num estágio de maior desenvolvimento, o teatro passou a ser o lugar de representação de lendas relacionadas aos deuses e heróis.Na Grécia antiga, os festivais anuais em honra ao deus Dionísio (Baco, para os latinos) compreendiam, entre seus eventos, a representação de tragédias e comédias.

O teatro grego que hoje conhecemos surgiu, segundo historiadores, de um acontecimento inusitado. Quando um participante desse ritual sagrado resolve vestir uma máscara humana, ornada com cachos de uvas, sobe em seu tablado em praça pública e diz: “Eu sou Dionísio!”. Todos ficam espantados com a coragem desde ser humano colocar-se no lugar de um deus, ou melhor, fingir ser um deus, coisa que até então não havia acontecido, pois um deus era para ser louvado, era um ser intocável. Este homem chamava-se Téspis, considerado o primeiro ator da história do teatro ocidental. Ele arriscou transformar o sagrado em profano, a verdade em faz-de-conta, o ritual em teatro, pela primeira vez, diante de outros, mostrou que poderíamos representar o outro. Este acontecimento é o marco inicial da ação dramática.






BAÚ DE FERNANDO - Análise do poema "Mestre são plácidas..." de Ricardo Reis

"Para compreender Ricardo Reis há que compreender a face mais rígida de Pessoa, a sua face helenista, de cultor do classicismo. Porque Reis é sobretudo isso - rigor, forma, disciplina. Neste heterónimo Pessoa põe essa sua faceta que lhe veio provavelmente da sua educação sobre moldes britânicos, quando residia ainda na África do Sul.
Como clássico, Reis prescreve a quem o lê estritas leis de conduta, que seguem sempre cânones muito bem definidos e baseados em apenas alguns princípios inabaláveis. Como Caeiro ele afasta-se da vida, mas tem já perante ela uma outra perspectiva que não é apenas de abandono - Reis aceita o que a vida lhe dá, e vê nessa aceitação a sua nobreza em resistir às adversidades (estoicismo) ao mesmo tempo que se deleita na contemplação das coisas que acontecem sem que eles intervenha (epicurismo).
Como regra latina que é, a filosofia de Reis assemelha-se ao funcionar de um relógio - tem uma cadência certa e perene e fala ao coração mas de modo a não nos emocionar. Tem uma grande tristeza, mas que se apaga em significado perante o modo solene como ele se nos apresenta. Reis é acima de tudo um sobrevivente, que escolhe a vida que tem como um soldado escolhe morrer pela sua Pátria.
Os temas que aborda são os temas clássicos e nada mais do que isso. Fala da morte e da vida, do prazer e da dor, dos homens e dos deuses. Não é abstracto e o seu léxico é por isso mesmo limitado e mesmo repetitivo.
Os seus poemas são odes - ode quer dizer canção - geralmente de quatro versos, dois decassilábicos e dois hexassilábicos com versos brancos e sem rima. Embora Reis varie, este seria o esquema ideal, denominado estrofe alcaica Horaciana.
A ode define-se também por seguir uma estrutura rígida em três partes: estrofe, antiestrofe e epodo - tema, desenvolvimento (resposta ao tema) e conclusão do poema.
Passemos ao poema em questão.
Escrito em 12/6/1914 o poema supostamente seria o poema inicial do projetado livro de Odes de Ricardo Reis, num dos projetos de Fernando Pessoa, nunca acabado. A importância de ser um poema de abertura é crucial, veremos já porquê.
Reis começa onde Caeiro acabara. O "Mestre" a quem ele se refere é obviamente o "Mestre" Caeiro. Ora, Reis, como discípulo, presta homenagem ao Mestre quando inicia a sua própria obra. Mas a sua homenagem é de certo modo insidiosa, porque ao homenageá-lo, Reis simultaneamente mata a sua influência, nega-o, supera-o, para ser ele também o seu próprio Mestre.
O tema é então um tributo, a Caeiro. Mas um tributo terrível. Reis prepara-se para negar Caeiro. Ele diz: "Mestre, são plácidas / Todas as horas / Que nós perdemos, / Se no perdê-las, / Qual numa jarra, / Nós pomos flores.", ou seja, não nos devemos afastar totalmente da vida, porque as horas perdidas em viver nunca são verdadeiramente perdidas, se as tornarmos num símbolo concreto, se lhes dermos a nobreza de as aceitar viver.
Reis quer distanciar-se de Caeiro, que falhara na sua missão, especialmente escrevendo os "Poemas Inconjuntos" e o "Pastor Amoroso". Reis mostra que tem uma nova perspectiva.
É um afastamento como o de Caeiro, mas um afastamento diferente que não nega a vida, antes a aceita como inevitável. Se é inevitável - diz Reis - devemos aceitá-la com nobreza, sofrer estoicamente a vida.
Escolhe Reis as flores como símbolo máximo da beleza fixa, mas ao mesmo tempo efémera - como a própria vida. Colocadas na jarra, as horas tornam-se imóveis e eternas, nunca cessam nem envelhecem, mas ao mesmo tempo sentem-se acabar num momento. O ideal estético aqui sobrepõe-se à realidade imanente - Reis idealiza a vida para a aceitar.
O verso seguinte confirma o que dizemos. "Não há tristezas / Nem alegrias (...)", ou seja, não existem emoções, se ao menos saibamos não viver a vida. O sofrimento pode ser evitado, evitando a vida ela mesma, evitando ser vividos por ela em vez de sermos nós a vivê-la.
O que fazer então? Reis aconselha-nos a "decorrê-la / Tranquilos , plácidos", como "crianças", com os "olhos cheios de Natureza". Essa Natureza que ele certamente desconhece, como Caeiro desconhecia e apenas cantava, mas que é ainda o alvo da sua atenção como poeta Pagão.
Passando pela vida, num "leve descanso", Reis espera não ter de se confrontar com os mesmos obstáculos do seu Mestre Caeiro. Parece afirmar perante si próprio que a sua missão está de certo modo facilitada - ele escolhe o seu próprio caminho e não precisa de se descobrir. A sua natureza é uma afirmação, uma escolha e não uma descoberta.
É uma questão de deixar "o tempo ir" - certamente não uma opinião do próprio Fernando Pessoa que tão interventivo era no seu tempo - para que tudo finde um dia futuro.
Resistir - isso está fora de questão, correndo o risco de enfurecer o deus que come os seus próprios filhos. (Será Saturno a devorar os próprios filhos, seguindo o mito Romano, na imagem marcante de Goya?).
A calma necessária para esta falta de actividade, para esta ataraxia, é aprendida com a Natureza. Eis o papel da Natureza em Reis - como exemplo eficaz de algo que passa pelo tempo mas que fica sempre igual, que em rigor aceita o tempo e a mudança com nobreza. Basta que aprendamos com ela a ficar imóveis perante o tempo, que decidamos não mudar nada à nossa volta. "Colhamos flores" e "molhemos as mãos nos rios calmos".
Como girassóis que olham o Sol - nova referência a uma flor - Reis espera que assim passemos ao lado de tudo, incólumes, sem influir nem sermos modificados, quase que figuras estranhas em sombra, pintados num qualquer quadro, sem grande pormenor, mas ainda assim almas humanas, ainda assim vidas conscientes.
Eis o testemunho pagão de um crente nos deuses antigos. Porque crê neles todos não crê em nenhum e o seu sentimento frio é "inteligente"; nas suas próprias palavras. Sentimento religioso vindo da inteligência que confronta o que o homem tem de divino com o que pode ter de profano e que no final deixa muito pouco - um resto ralo, uma água descolorada a que chamar vida."